Tudo começou em 1996...
Primeiramente vale lembrar que sonhos tornam-se reais...
Foi assim pra mim, sempre sonhei em ser comerciante, estava no sangue.
Quando menina, sempre me interessei, por vendas, negócios, pessoas... esse mundo do toma lá dá cá, sempre me atraiu muito. No colégio eu vendia de tudo, doces, bolsinhas que eu mesma fazia de crochê, broche, meias e muito mais, no prédio que eu morava a mesma coisa, minha mãe como era dona de casa sempre arrumava uma coisa diferente para ganhar um dinheiro extra, então ela comprava lingerie, e eu vendia por iniciativa própria, batia na casa dos vizinhos e saia oferecendo, e os vizinhos por sua vez, me davam coisas para vender. Coisas estas, que eles haviam fabricado, ou algo que eles haviam comprado, porém não tinham o dom pra vendas.
Quando fiz 20 anos, após já ter trabalhado no comércio durante alguns anos, começei a sentir enorme vontade de ter meu próprio negócio, pois via nos meus patrões erros que certamente lhes impediam de crescer pelo amadorismo ou talvez pela falta de vivência frente a frente dos seus próprios negócios. No período em que fui empregada, sempre dei sugestões ou quando tinha a oportunidade sempre metia a mão na massa e incrementava aqui, melhorava ali, com uma idéia, ou até mesmo com a criatividade que em mim era nata. Então foi crescendo dentro de mim uma enorme vontade de criar, de ser, de aparecer, eu precisava disso para sobreviver, para ser feliz.
Então surgiu numa galeria próximo ao prédio que eu morava com meus pais, uma oportunidade de uma mini lanchonete a qual o dono queria passar o ponto, e eu por sua vez, não entendia nada de negócios no sentido burocrático, e na maior cara de pau fui até o proprietário para saber como se sucedia a compra do tal negócio, que para minha decepção demandava em grana. Nessa época eu não tinha dinheiro e todos me achavam nova e inexperiente demais para investirem em mim, e nem a minha família, acreditava no meu potencial, acreditavam apenas que eu não tinha capacidade de me envolver em algo realmente sério, com compromissos verdadeiros, aaaahhhhhhhhhhh mais só eu sabia o quanto eu era capaz!!!! Eu acreditava muito em mim e em minha capacidade de empreender. Tudo bem não foi dessa vez.
Então começei a me programar para uma nova oportunidade, sempre sonhando e acreditando que o que era impossível, iria acontecer. Só não sabia como.
Em 1995, entrei para faculdade de psicologia. Gosto da teoria, mais a prática que sempre amei foi o comércio. E lá na faculdade também foi que conheci meu primeiro amor, sabe aquele que cega. É... e esse namorado, tinha um irmão que tinha um ponto no Centro da cidade, e que tudo foi tão fácil para ele que ele sequer dava o devido valor, ele já tinha um negócio que o pai havia deixado para ele e ele havia aberto esse outro negócio por que ficou sabendo que era um novo ramo e que estava dando muito dinheiro. Mais nem tudo que reluz é ouro. Não que o ramo seja ruim, é que o ramo dava dinheiro sim, mais era preciso, prática, determinação e controle, coisas que para ele eram impossíveis de se ter, pois ele tinha um negócio que ele achava que se geria, mero engano, durou apenas o tempo que havia para durar e muito mal, pois não houve investimento em tecnologia e não avançou conforme o mercado avança e foi ficando para trás... fechou! Mais voltando para a minha história... Então o ponto que ele desejava se desfazer era um ponto de cópias, mais conhecido como xerox, em 1996, era um negoção! Nem todo mundo tinha máquinas, eram caras! Então ele me fez a proposta de ficar com o ponto e pagar as máquinas que ele havia ganhado do pai, parceladas, não perdi tempo, aceitei e meti as caras.
Tudo na vida tem um porque, quando eu era empregada numa loja de fotografias meu patrão havia comprado uma máquina copiadora e eu fui a única de 8 funcionárias a me interessar em aprender a operá-la. Quem imaginaria que alguns anos após eu iria ter a minha copiadora! Então vim sem medo para a loja que possuia 2 máquinas copiadora, uma de pequeno porte e outra de médio porte, uma plastificadora e e uma encadernadora, de material havia pouco mais que uma resma de papel, algumas capas e espirais, e material para plastificação apenas o rolo que estava na máquina.
Eu achava que saber operar a máquina era o suficiente, eu não conhecia o outro lado da moeda, eu não sabia da burocracia dos papéis, como lhe dar com fornecedor, como comprar, onde comprar, como lhe dar com funcionários (comandar, gerenciar,pagar, treinar...), então fui aprendendo na marra, sobre tudo que envolve uma micro empresa, a firma não era registrada, e os clientes me pediam a nota fiscal, porém eu só tinha orçamento, então resolvi regularizar a empresa... contador, livros fiscais, contra-cheque, Iptu, alvará, CNPJ, Inscrição Estadual e Municipal, ICMS, Darf Simples, FGTS, Vale transporte... CARACA quase pirei, começei a ler livros sobre todos esses assuntos, eu não acatava tudo que o contador ou os outros me diziam, eu já não era tão leiga, começei a saber de tudo um pouco e questionava, e ia adiante... era tanta vontade de saber... e nesse meio tempo ainda tinha que arrumar tempo pra dar conta da faculdade, provas, trabalhos, professores... e pra ganhar um dinheiro a mais, ainda vendia cópias para as turmas o que me ajudou muito. E o tempo foi passando, e comprei balcões, mais não tinha mercadorias, e comprei prateleiras mais não tinha mercadorias, e mandei fazer uma vitrine mais também não tinha mercadorias para expor, e trabalhava muito empenhada em um dia ver a minha loja cheia de mercadorias, e como não sabia mandar e nem tinha ainda me dado conta da minha posição na empresa, sempre trabalhei mais do que os funcionários.
Funcionários........... li a CLT, me informei muito sobre eles na questão jurídica, sempre obedeci os horários,a data dos pagamentos, eu podia até atrasar um imposto, mais nunca uma guia de GPS ou FGTS, jamais! Eu não queria confusão para o meu lado, já havia me informado do risco. Com certeza é melhor não corrê-lo.
E trabalhava muito, cada dinheiro que entrava no caixa era reinvestido em mercadorias, comecei a entrar pelo ramo de papelaria, quase que involuntariamente, pois os clientes tiravam uma xerox, e me pediam uma caneta, um envelope, uma borracha, e eu entrei em uma papelaria e conversei francamente com o dono e quis saber sobre algum fornecedor do gênero, pois a papelaria dele se situava numa cidade diferente da minha, sei que é difícil conseguir esse tipo de informação por causa da concorrência, e naquela época ainda não era tão acessível a internet, o Google... Então consegui um fornecedor, e uma coisa foi puxando outra, montei a papelaria, depois uma seção de presentes, outra de informática, e os serviços também foram crescendo. Nesse meio tempo meu primeiro casamento acabou, terminei a faculdade, casei novamente, passei por dificuldades, por alegrias, por tudo que um cidadão normal passa é claro, e com mais as responsabilidades que o comércio traz.
Os clientes entravam na loja e jamais imaginavam que a dona fosse eu, uma jovem de 23 anos, os fornecedores me diziam "por favor, gostaria de falar com a pessoa responsável pela empresa?", e eu respondia: pode falar! Era um espanto, mais eu fui crescendo junto com a empresa, e vibrando a cada aquisição, sempre com humildade, com bom humor, com responsabilidade e seriedade.
Hoje a papelaria tem 13 anos.
São 13 anos de muitas lutas, acertei e também errei muito, aprendi com a prática, minha família não tem o berço no comércio, cada objeto aqui tem uma história, um valor sentimental. É uma vitória.
Chega determinados momentos em nossas vidas que se torna difícil conciliar tudo, ainda mais sozinha. Ser patrão não é tão fácil, a gente não pode ficar doente, faltar, tirar férias, 13 salário, tem que chutar e correr pra agarrar, acompanhar as tendências e tem que estar sempre ligado.
E eu como qualquer ser humano, me sinto cansada... Meu corpo fatigou, tive depressão, era muito entusiasmo, muita ansiedade de querer ver tudo no lugar, muita organização, muita exigência de mim mesma, isso ajudou no crescimento da empresa, mais tudo em demasia é veneno, então minha produção caiu, nessa época eu havia também me separado e perdido um filho, e fiquei bem pra baixo, e refletiu na empresa, fui atrasando os impostos, meus cheques voltaram, as boletas para o protesto, e a cabeça foi piorando... Chegou o deserto, as dificuldades, que só fazem a gente crescer e perceber o quanto somos pequenos e quanto dependemos de um ser superior, que nada somos, que de um momento para o outro tudo muda, e que não está em nossas mãos o controle de nossas vidas, a gente começa a achar que tudo funciona pela nossa determinação, pelo nosso trabalho, pelo nosso entusiasmo, dom, força de trabalho e tudo mais, mero engano... Me senti pequenininha, e clamei por socorro, não havia quem me tirasse do mar de lodo que eu havia afundado... Dívidas, incertezas, falta de perspectiva e depressão.
Conheci a JESUS! Ele não pode faltar jamais na minha história de sucesso, eu trabalhava como o vento, apenas ia solitária, tocando meus sonhos, hoje não viajo mais sozinha, viajo na presença do Senhor, Deus me curou, e quando eu achava que tudo estava perdido... A loja já estava quase sem mercadorias, as máquinas copiadoras quebradas e fora de linha, o nome sujo impedia que eu comprasse, bancos com restrições, nessa época a empresa tinha 5 anos e dos 5 aos 10 passei por esse deserto, e não entendia o porque de não ter fechado ainda, aluguel atrasado, telefone cortado, luz na iminência todo mês de cortarem, o coração disparava, eu ficava desesperada, o que estava bem de repente, ficou mal, mais hoje glorifico a Deus, pude conhecer a mão do Senhor Jesus operando no momento mais difícil de minha vida...
Quando a loja fez 10 anos a minha mãe caminhando pelo centro da cidade viu em uma loja uma máquina de sorvetes, que fazia fila, e me falou: "filha, coloca na tua loja que vc se levanta!", fui até o local com meu marido ver, e deduzi que custasse por volta de 2 a 3 mil reais, que já era muito para mim, que estava sem condições de financiamento. Então mandei uma proposta para a empresa fabricante da máquina de sorvete e recebi a proposta. A MÁQUINA CUSTAVA APENAS 28.000,00, é isso ai, vinte e oito mil reais!!!!!!!!!!!!! fiquei chocada, mais tão empolgada, e já conhecia o meu Deus, então fui ao culto com aquele envelope da proposta, levantei em meio ao louvor e disse: "meu Deus todos dizem que tú és o Deus dos impossíveis, então se for da tua vontade, gostaria de ter uma máquina dessas pois seria a salvação da minha lavoura!" e entreguei na mão de Deus, pq pelas minhas mãos já não seria possível, as linhas de créditos estavam fechadas.
6 meses depois...
Um amigo do meu ex marido, que eu não via a aproximadamente uns 4 anos, parou com a esposa na porta de minha loja e disse: "Comprei algo, usei 1 semana na loja de minha nora, que não é um ponto bom, e não conheço ninguém que tenha comércio..." PÁRA... eu disse, já sei o que é, é uma máquina de sorvetes, e ele me falou é isso mesmo, mais tudo bem qual a marca e o modelo.... e eu respondi na lata, ele ficou espantado, pq também já conhecia o mistério, e ele veio para me alugar mais eu disse para ele, engano seu, vc veio para me vender...
Tá pensando que benção vem fácil e de mão beijada... ahhhhhhhhh nananina não, ele me vendeu parceladamente em 25 cheques de R$ 1.400,00, dei os cheques que eu havia guardado da empresa. Não conhecia do ramo de sorvetes, não sabia de nenhum fornecedor, e a história se repetia...
Fui metendo a cara, lendo e pesquisando, nessa época já havia o Google, muito melhor né!
Era verão, e eu não sabia o que acontecia no inverno, no inverno foi brabo, não consegui pagar e o amigo começou a se tornar inimigo, tive que dar meu carro para ele, carro que paguei em 36 prestações suadas, coloquei kit gás, alarme e rádio novo. Infelizmente fiquei a pé, e tudo ficou mais difícil ainda, não tinha como comprar mercadorias pra loja novamente, o pouco que eu comprava era á vista, os fornecedores já não mais me entregavam, o carro também estava com o IPVA atrasado, o que fez com que ele desvalorizasse e no final o carro de 12.000,00 saiu por 8.000,00 deu pra pagar apenas 6 parcelas e ainda tive que colocar mais um pouquinho, e as demais prestações ficaram mais difíceis ainda, tive que ir atras de uma nova oportunidade, tirei a máquina aqui da loja e procurei um ponto melhor para isso, pois o que vendia aqui só dava para pagar a prestação e não os suprimento, a manutenção, a luz... Deus mais uma vez me abençoou... fui para um ponto melhor, meu marido passou a ficar na loja e eu fui vender sorvetes na rua, num ponto melhor, onde as pessoas passavam e diziam: "vc ainda é dona daquela loja?" muitos me humilhavam pois não sabiam do valor do empreendimento, recebi muitas palavras de derrota, e ficava embaixo de um sol de 40 graus na porta de uma loja, sendo tratada como "funcionária" digo isso no sentido de que a maioria dos comerciantes tratam seus funcionários como bicho e não como gente... Graças a Deus aqui na loja nunca foi assim... mais não murmurei.... passou o tempo e comprei um toldo para a loja... Já não sofria tanto com o sol no lombo. Glórias a Deus por isso!
Então chegou ao final das prestações, o último cheque venceu e eu ainda devia 4 prestações para o ex amigo que não exitou em arrumar um advogado e... Justiça! Como o cheque era jurídico, já fui intimada coma a penhora em 5 dias, não me desesperei, disse ao meu Deus: "me ajuda!". Já tinha perdido o crédito também com a família, mas pedi a minha mãe, e ela pegou um empréstimo para aposentado no valor de 5.000,00, a causa com os honorários estava em 7.400,00, e eu não tinha um tostão e também não esperava isso, apesar dele ter me avisado, eu não acreditei, então ficou faltando 2.400,00, e o pai do meu esposo arrumou 1.000,00, e ainda faltava, e eu arrumei os 400,00 mais faltava mil ainda, e o prazo chegou, era o dia da audiência e eu precisava do dinheiro, então Deus moveu... Um parceiro lojista, ao qual havíamos feito umas vendas conjuntas para um Órgão Estadual, já que o nome dele que estava liberado (o nome utilizado para venda, era da empresa dele, porém o contato meu), esse órgão havia feito uma compra, mais ainda não haviam liberado o cheque, sem pé nem cabeça ele entrou aqui na loja e disse: "Trouxe 1.000,00 que é a sua parte da venda, depois quando eles derem o cheque vc deposita na minha conta, OK?". GLÓRIA A DEUS, DEUS MARAVILHOSO, DEUS DE MILAGRES, DEUS DOS IMPOSSÍVEIS! RECEBI E PAGUEI!
Quando estava no fórum fazendo o pagamento da causa, minha funcionária me liga e diz: "A LOJA ACABOU DE SER ASSALTADA!" em 13 anos de existência a loja pela primeira vez é assaltada e Deus deu livramento.
Hoje pago as parcelas do empréstimo a minha mãe.
A máquina de sorvetes tem vendido bem, tão bem que tenho comprado mercadorias para a loja dia após dia, paguei o banco, parcelei os impostos atrasados, quitei todos os cheques devolvidos, devo apenas 2 fornecedores um valor que o somatório não passa de 1.000,00, aluguei máquinas copiadoras novas e moderna, comprei um carro que vale quase o dobro do que eu tinha, de um amigo que me passou o financiamento. A loja está linda e sortida, já mandei fazer um cavalete impresso em lona e um novo letreiro para a loja, e tem muitas novidades aqui, além de três computadores sendo que um é um laptop (wireless) que conecta de graça e tem me gerado receitas, com serviços úteis de impressão, gravação e consultas.
Cada dia que passa tenho menos despesas e mais receitas. Se vc leu a minha historia até o final, CREIA, DEUS É FIEL. Só ele pode te tirar do desespero e te dar paz, te dar uma nova vida, te restituir tudo, exaltar a tua cabeça sob os teus inimigos, te tirar da depressão e da opressão, te fazer sonhar novos sonhos. Fiquem com Deus, porque ele com certeza me ama e ama a você também!
terça-feira, 29 de setembro de 2009
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